terça-feira, 9 de outubro de 2007

Prémio Nobel da Física 2007



O Prémio Nobel da Física 2007 foi atribuído a Albert Fert e Peter Grünberg pela descoberta experimental do efeito Físico a que se chama Magnetoresistência Gigante.

A Magnetoresistência Gigante é um efeito físico interfacial que só foi possível observar depois de desenvolvida a capacidade de fabricar materiais tão finos que as propriedades das intefaces e superfícies são dominantes sobre as propriedades em volume, ou seja, depois de se desenvolverem técnicas que permitem depositar camadas de materias com apenas alguns átomos de espessura. Este efeito é uma das primeiras aplicações reais da Nanotecnologia e tem consequências económicas enormes. É graças ao efeito magnetoresistivo que foi possível a capacidade dos discos rígidos aumentar ao ritmo de 60%-75% ao ano desde os anos 80 fornecendo o suporte físico para o nascimento da sociedade da informação em que todos vivemos.

Em Portugal, o Grupo de Microsistemas e Nanotecnologias do Instituto de Engenharia de Sistemas Computacionais (INESC-MN) trabalha desde os anos 80 no desenvolvimento deste tipo de sistemas com sucesso numa enorme variedade de aplicações que vão desde a biologia à nano-magneto-electronica, tendo inclusivamente trabalhado e colaborado com Albert Fert em diversas ocasiões. Um exemplo no sector privado de que o que já se faz em Portugal no domínio da Investigação e Desenvolvimento está ao nível do estado da arte mundial.

P.S. : Declaração de interesses. O autor deste texto está ligado ao INESC-MN.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

A Religião e a Moral

A Igreja Católica acha o futuro da Europa está em perigo devido ao aumento do número de divórcios, abortos e uniões de facto e ainda devido à diminuição de casamentos que associa à destruição da família tradicional.

Segundo a Igreja Católica esta realidade é uma consequencia da "mentalidade individualista e secular".

Não tenho nada contra qualquer iniciativas que a Igreja Católica promova para reflectir acerca do casamento católico. Mas parece-me muito mal que a Igreja venha mais uma vez por em causa a laicidade do Estado querendo impor a toda a gente uma visão da realidade que só aos seus fiéis diz respeito.

É que aquilo que é bom à luz dos dogmas da Igreja Católica, não é necessariamente o melhor para quem vive livremente. Um divórcio para uma mulher que é espancada pelo marido, um aborto de uma vida considerada inviável pela própria mãe e uma união de facto por quem acha um casamento religioso uma palhaçada e um casamento civil uma inutilidade seriam impossibilidades se dependesse da vontade da Igreja. E não esqueçamos que por vontade da Igreja, há ainda quem nem a direito a casamento civil tenha e não é por falta de vontade de formar família...

A Igreja não tem o direito de impor a sua moral à sociedade. E para lembrar que a moral religiosa não é de forma nenhuma a melhor moral, aqui fica um exemplo vindo de uma sociedade onde essa moral religiosa é imposta a toda a gente. Não me parece que a Europa tenha nada a aprender com este exemplo.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Hugo Chávez e o Socialismo do Século XXI




Tendo em conta as companhias de Chávez, compreende-se que queira procurar parceiros melhores. Mas não é em Portugal que os vai encontrar.

Notícia da Lusa :

Caracas, 30 Set (Lusa) - "Ainda que você não acredite, Portugal é um Estado socialista" diz o título de um texto publicado no site de "comunicação popular para a construção do socialismo do século XXI", dirigido a simpatizantes do presidente venezuelano Hugo Chávez.

O artigo, assinado por Iván Oliver Rugeles, começa por dizer que "a Constituição portuguesa, em vigência desde 1974, estabelece efectivamente isso [o socialismo] nos seus princípios fundamentais que textualmente copiamos".

No texto, o autor transcreve vários artigos da primeira versão da Constituição portuguesa aprovada em 1976, mas nunca refere que o texto já foi alvo de diversas revisões e que a versão actualmente em vigor já não faz referência ao socialismo.

O texto, publicado no site www.aporrea.org, prossegue explicando que a Constituição portuguesa "estabeleceu" o socialismo "sem que isso produzisse no país, nem nos seus vizinhos europeus, o medo que na Venezuela a oposição pretende inculcar no povo, porque o comandante presidente Chávez, na sua proposta de reforma constitucional, utiliza de forma muito tímida a palavra socialismo".

O autor do texto precisa que o artigo 2º da Constituição de Portugal estabelece que "a República portuguesa é um estado democrático, baseado na soberania popular, no respeito e na garantia dos direitos e liberdades fundamentais e no pluralismo de expressão e organização política democráticas, que tem por objectivo assegurar a transição para o socialismo mediante a criação de condições para o exercício democrático do poder pelas classes trabalhadoras".

Fazendo referência ao artigo 1º, o autor explica que "Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na transformação numa sociedade sem classes".

Por outro lado, diz que o ponto 02 do artigo 10º dispõe que "o desenvolvimento do processo revolucionário impõe, no plano económico, a apropriação colectiva dos principais meios principais de produção".

O texto frisa ainda que, segundo o artigo 80º, "a organização económico-social (...) se baseia no desenvolvimento das relações de produção socialistas, mediante a apropriação colectiva dos principais meios de produção e dos sólos, assim como dos recursos naturais e o exercício do poder democrático das classes trabalhadoras".

O autor prossegue escrevendo que o artigo 82º estabelece que "a lei determinará os meios e as formas de intervenção e de nacionalização e socialização dos meios de produção, bem como os critérios de fixação de indemnizações" e que "a lei poderá determinar que as expropriações de latifundios e dos grandes proprietários e empresários ou accionistas não dê lugar a indemnização alguma".

O autor diz ainda que é "interessante agregar que o Banco de Portugal, como Banco Central da República, tem somente o exclusivo da emissão de moeda, pois na execução das políticas respectivas e financeiras actua 'de acordo com o plano e as directivas do Governo'".

O presidente Hugo Chávez entregou ao parlamento, a 15 de Agosto, uma proposta para reformar 33 dos 350 artigos da Constituição Nacional, prevendo, entre outras mudanças, prolongar a duração do mandato presidencial de seis para sete anos com reeleição imediata.

A proposta introduz novos conceitos de propriedade pública, social (comunal ou estatal), colectiva e privada e reduz de oito para seis horas a duração da jornada de trabalho.

Por fim, a proposta atribui ao presidente faculdades para decretar regiões especiais militares, com fins estratégicos de defesa, em qualquer parte do território, transforma as Forças Armadas num organismo "essencialmente patriótico, popular e anti-imperialista" e acaba com a autonomia do Banco Central da Venezuela.

FPG.

Lusa/Fim

Primeiras propostas concretas de Luís Filipe Menezes



O Diário Economico de hoje publica aquelas que são as primeiras medidas concretas de Luís Filipe Menezes à frente do PSD.

1 - Reformas para consolidar sem descer impostos
Luís Filipe Menezes não se debaterá, como fazia Mendes, pela baixa imediata
de impostos. Uma medida que o novo líder do PSD considera mesmo "pouco
responsável". Neste >ponto, coloca-se ao lado do Governo e aposta em
reformas que permitam a consolidação orçamental.


Era só o que faltava! Agora os dois maiores partidos do sistema concordam com a
quantidade brutal de impostos que o contribuinte português paga sem receber
do Estado serviços públicos que os justifiquem. Aqui, Menezes está refém da
sua própria demagogia. Na ansia de criticar Mendes, deu este ponto de
bandeja ao Governo.
E este é um ponto essencial. O PSD está agora a dar
carta branca ao PS para continuar a controlar o défice como o tem feito :
por via de aumento de impostos e não por redução da despesa apoiada em
reformas estruturais e ganhos de eficiência. Se há ponto em que se justifica oposição, é este. O PSD-Menezes aplaude serviços públicos caros e maus.

2 - Corte na despesa e refomar Administração Pública
Contra o "equilíbrio das contas públicas pela destruição do estado social e
da subida de impostos", a linha do líder do PSD passará pela aposta no
crescimento da economia, pelo >corte na despesa pública através de reformas
estruturais como a da Administração Pública.


A economia não cresce por decreto e a única forma que tem de crescer com a
reforma da Administração Pública é justamente se dessa reforma resultar uma
diminuição de impostos.

3 - Investimento na alta velocidade mas por troço
O TGV será tema recorrente nos discursos de Menezes que defende um
investimento "feito por troço, de acordo com os recursos disponíveis do
país". Tentará ainda aprovar no >Parlamento um "programa nacional de
construção de equipamentos públicos".


Outro que se chegar ao Governo quer deixar muito betão com o seu nome independentemente da sua utilidade. O TGV é um erro semelhante à OTA. Não se
percebem os seus benefícios e sem que estes sejam explicados detalhadamente
não se devia avançar. Temos todas as razões para duvidar do bom juízo deste governo no que diz respeito a grandes invetimentos. Pelos vistos, LFM acha que não.

4 - Descentralizar e desenvolver o interior
Um programa de desenvolvimento da região do interior e incentivos fiscais
para empresas que se queiram estabelecer na zona raiana. Afinal, diz
Menezes, "faz todo o sentido sermos >competitivos numa zona que está
próxima de 40 milhões de consumidores espanhóis".


Desenvolver o interior parece-me bem. "Descentralizar" é uma palavra
suspeita. Lembra-me a regionalização. Regionalizar o país, com a desculpa
do desenvolvimento do interior, para dar aos pequenos poderes e clientelas
do interior mais poder do que o que têm será um erro histórico. O
PSD-Marcelo conseguiu impedir a primeira tentativa de regionalização do
PS-Guterres. Um acordo PS-Sócrates com PSD-Menezes nesta questão é o pior
que pode acontecer ao país.

5 - Jovens licenciados são prioridade no desemprego
No combate ao desemprego, já se sabe que Menezes dará atenção privilegiada
aos jovens licenciados. Assim, promoverá protocolos com universidades para
que disponibilizem >cursos adicionais que visem a rápida integração no
mercado de trabalho.


Não me parece mal que se dê atenção especial aos licenciados desempregados
pela especificidade da sua situação. Mas gosto pouco da palavra
"prioridade". Parece que o desemprego de uns é mais importante do que o
desemprego de outros. E não é assim.

6 - Reduzir para metade pessoal do sector da saúde
Na saúde Menezes quer reduzir para metade os recursos humanos do sector. E
ainda separar as águas "entre medicina pública e privada - ambas
imprescindíveis, numa lógica >concorrencial que termine com a inaceitável
promiscuidade".


Separar medicina pública e privada : tudo bem. Reduzir para metade os
recursos humanos do sector? De onde é que o homem tirou esta? Por que
razão? Serão precisos grandes estudos para saber que, principalmente no
interior, há um défice enorme de médicos e enfermeiros? Durante anos a
ordem dos médicos conseguiu fazer pressão sobre os sucessivos governos para
manter o número clausus nos cursos de medicina abaixo do desejável para a
população geral. Menezes, que é médico, parece gostar deste estado de
coisas.

Tudo somado : este PSD tem mais coisas que me desagradam do que coisas que me agradam. Agora para além de fazer oposição ao Governo faz falta quem faça oposição à Oposição!

sábado, 29 de setembro de 2007

Luís Filipe Menezes




.. é o novo líder do PSD.

Como em quase tudo, há duas formas opostas de olhar para esta vitória que indiscutivelmente era inesperada e revela a distância enorme entre a opinião publicada e a opinião pública.

Pode ser uma pedrada no charco que agite as águas e acorde o partido da letargia em que está há anos aproximando-o do seu eleitorado.

Ou pode ser uma derradeira tentativa de sobrevivência de um partido que se sente moribundo e para quem já tudo vale, sem olhar a meios.

O tempo dirá que PSD é este que nasce hoje. Para já acho que ninguém sabe. Sobretudo Menezes.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Hoje é eleito...




... o próximo líder da oposição até 2009. Em 2009 o PS vai ganhar as eleições com nova maioria absoluta, não por mérito mas por ausência de oposição. Aqueles que elegerem o vencedor de hoje vão então diabolizá-lo e é provável que novos protagonistas repitam o triste espetáculo que tem desfilado pelos telejornais nos últimos dias.

As eleições directas do PS trouxeram para a praça pública o melhor da política. As eleições directas no PSD trouxeram o pior.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Quando a SIC Notícias é notícia na SIC



A SIC sai mesmo muito mal do episódio de Santana Lopes.

A SIC Notícias tem uma audiência média de apenas 1.5% e estava com grande
curiosidade para saber como é que o episódio era tratado no Jornal da Noite
que tem uma audiência muito maior.

O Jornal da Noite transmitiu as declarações de Santana Lopes até ao momento
da interrupção e depois mostrou umas imagens de Mourinho enquanto o
apresentador dizia "Pedro Santana Lopes não gostou de ser interrompido por
um directo da chegada de Mourinho a Lisboa e recusou-se a continuar a
entrevista". De seguida é lido um comunicado da SIC onde se afirma :

"A SIC entende que não faltou ao respeito a Pedro Santana Lopes e que a
chegada de José Mourinho não era um elemento perturbador de uma entrevista
para a qual tínhamos previsto cerca de 30 minutos."


"A SIC Notícias é, seguramente, a televisão portuguesa que mais importância
dá à política nacional. A atitude desproporcionada de Pedro Santana Lopes
não altera a nossa linha editorial."


Ao não mostrar as imagens com a intervenção de Santana Lopes após a
interrupção, ao classificar a sua reacção como "desproporcionada" e ao
considerar a sua interrupção como "não perturbadora da entrevista" a
direcção de programas da SIC decidiu substituir-se aos telespectadores no
julgamento do episódio. A SIC decidiu portanto não noticiar o acontecimento
com isenção e colocar o seu próprio interesse acima da sua obrigação de
informar o público.

E com mais uma deplorável manifestação de falta de humildade e incapacidade
de admitir um erro mostrou que não aprendeu nada com o episódio e que vai
manter esta linha editorial, apesar dos protestos dos seus espectadores
espalhadas pela blogosfera, nas centenas de comentários que podem ser
consultados no Público e nos newsgroups.

Tenho a informação da SIC em boa conta o que só torna a estupefação com este episódio maior.

Ainda acerca da entrevista de Pedro Santana Lopes à SIC notícias...

Critérios editoriais duvidosos por parte de orgãos de informação que acabam por deformar mais do que informar não são um exclusivo de Portugal.

Mas compare-se o que se passou ontem na SIC Notícias com o que se passou na NBC no vídeo abaixo reproduzido. Aceitar a ditadura dos fanáticos do futebol sobre os conteúdos dos programas informativos não é uma inevitabilidade.


Os critérios editoriais da SIC Notícias na entrevista a Pedro Santana Lopes




Este é o vídeo com o epísódio de que toda a gente parece falar. Mais de 300 comentários na página do Público, é obra!

Comentando o clima no PSD e os problemas das directas, a entrevista a Pedro Santana Lopes é interrompida para um directo com a chegada de Mourinho ao Aeroporto. Na reacção, Santana Lopes recusa-se a continuar a entrevista.

Ricardo Costa, director da SIC Notícas, defende-se afirmando que :
"A SIC Notícias lamenta que a decisão de fazer um directo para a chegada de José Mourinho ao aeroporto tenha provocado uma reacção, que consideramos desproporcionada de Pedro Santana Lopes."
"A SIC Notícias não falta ao respeito aos seus convidados nem aos telespectadores."

Sou extremamente crítico de Santana Lopes e sobretudo da forma como ele chegou
ao poder. E considero que são os políticos os principais responsáveis pelo alheamento dos cidadãos em relação à Democracia.

Dito isto, ontem PSL subiu muitos pontos na minha consideração. A cobertura insuficiente ou pouco esclarecida da comunicação social sobre as questões políticas que afectam o nosso futuro colectivo em deterimento de questões menores tem também sido um contributo importante da Comunicação Social para a degradação da nossa Democracia. A chegada de Mourinho ao Aeroporto nem sequer notícia é, quanto mais algo que justifique um directo e a interrupção de uma entrevista! Se Mourinho tivesse vindo a pé desde Inglaterra, era notícia. Mas aquele directo é totalmente desprovido de substância.

É incompreensível a reacção de Ricardo Costa ao episódio. A SIC Notícias dedica muito do seu espaço à crítica e escrutínio da actividade política. Devia portanto perceber que os seus "critérios editoriais" não estão eles próprios livres de crítica. Uma atitude destas vinda de quem tantas vezes sucumbiu à sedução dos holofotes só sublinha ainda mais o péssimo critério editorial da SIC neste ponto em concreto. Um pouco de humildade para reconhecer isso, não ficava mal a Ricardo Costa.

Ah, e se Ricardo Costa acha que a SIC Notícias não faltou ao respeito a ninguém, eu lamento discordar. Pedro Santana Lopes pelo contrário não faltou ao respeito à SIC quando se soube dar ao respeito.

Parabéns, Pedro Santana Lopes.