
O
Diário Economico de hoje publica aquelas que são as primeiras medidas concretas de Luís Filipe Menezes à frente do PSD.
1 - Reformas para consolidar sem descer impostos
Luís Filipe Menezes não se debaterá, como fazia Mendes, pela baixa imediata
de impostos. Uma medida que o novo líder do PSD considera mesmo "pouco
responsável". Neste >ponto, coloca-se ao lado do Governo e aposta em
reformas que permitam a consolidação orçamental.Era só o que faltava! Agora os dois maiores partidos do sistema concordam com a
quantidade brutal de impostos que o contribuinte português paga sem receber
do Estado serviços públicos que os justifiquem. Aqui, Menezes está refém da
sua própria demagogia. Na ansia de criticar Mendes, deu este ponto de
bandeja ao Governo.
E este é um ponto essencial. O PSD está agora a dar
carta branca ao PS para continuar a controlar o défice como o tem feito :
por via de aumento de impostos e não por redução da despesa apoiada em
reformas estruturais e ganhos de eficiência. Se há ponto em que se justifica oposição, é este. O PSD-Menezes aplaude serviços públicos caros e maus.
2 - Corte na despesa e refomar Administração Pública
Contra o "equilíbrio das contas públicas pela destruição do estado social e
da subida de impostos", a linha do líder do PSD passará pela aposta no
crescimento da economia, pelo >corte na despesa pública através de reformas
estruturais como a da Administração Pública.A economia não cresce por decreto e a única forma que tem de crescer com a
reforma da Administração Pública é justamente se dessa reforma resultar uma
diminuição de impostos.
3 - Investimento na alta velocidade mas por troço
O TGV será tema recorrente nos discursos de Menezes que defende um
investimento "feito por troço, de acordo com os recursos disponíveis do
país". Tentará ainda aprovar no >Parlamento um "programa nacional de
construção de equipamentos públicos".Outro que se chegar ao Governo quer deixar muito betão com o seu nome independentemente da sua utilidade. O TGV é um erro semelhante à OTA. Não se
percebem os seus benefícios e sem que estes sejam explicados detalhadamente
não se devia avançar. Temos todas as razões para duvidar do bom juízo deste governo no que diz respeito a grandes invetimentos. Pelos vistos, LFM acha que não.
4 - Descentralizar e desenvolver o interior
Um programa de desenvolvimento da região do interior e incentivos fiscais
para empresas que se queiram estabelecer na zona raiana. Afinal, diz
Menezes, "faz todo o sentido sermos >competitivos numa zona que está
próxima de 40 milhões de consumidores espanhóis".Desenvolver o interior parece-me bem. "Descentralizar" é uma palavra
suspeita. Lembra-me a regionalização. Regionalizar o país, com a desculpa
do desenvolvimento do interior, para dar aos pequenos poderes e clientelas
do interior mais poder do que o que têm será um erro histórico. O
PSD-Marcelo conseguiu impedir a primeira tentativa de regionalização do
PS-Guterres. Um acordo PS-Sócrates com PSD-Menezes nesta questão é o pior
que pode acontecer ao país.
5 - Jovens licenciados são prioridade no desemprego
No combate ao desemprego, já se sabe que Menezes dará atenção privilegiada
aos jovens licenciados. Assim, promoverá protocolos com universidades para
que disponibilizem >cursos adicionais que visem a rápida integração no
mercado de trabalho.Não me parece mal que se dê atenção especial aos licenciados desempregados
pela especificidade da sua situação. Mas gosto pouco da palavra
"prioridade". Parece que o desemprego de uns é mais importante do que o
desemprego de outros. E não é assim.
6 - Reduzir para metade pessoal do sector da saúde
Na saúde Menezes quer reduzir para metade os recursos humanos do sector. E
ainda separar as águas "entre medicina pública e privada - ambas
imprescindíveis, numa lógica >concorrencial que termine com a inaceitável
promiscuidade".Separar medicina pública e privada : tudo bem. Reduzir para metade os
recursos humanos do sector? De onde é que o homem tirou esta? Por que
razão? Serão precisos grandes estudos para saber que, principalmente no
interior, há um défice enorme de médicos e enfermeiros? Durante anos a
ordem dos médicos conseguiu fazer pressão sobre os sucessivos governos para
manter o número clausus nos cursos de medicina abaixo do desejável para a
população geral. Menezes, que é médico, parece gostar deste estado de
coisas.
Tudo somado : este PSD tem mais coisas que me desagradam do que coisas que me agradam. Agora para além de fazer oposição ao Governo faz falta quem faça oposição à Oposição!