sábado, 29 de setembro de 2007

Luís Filipe Menezes




.. é o novo líder do PSD.

Como em quase tudo, há duas formas opostas de olhar para esta vitória que indiscutivelmente era inesperada e revela a distância enorme entre a opinião publicada e a opinião pública.

Pode ser uma pedrada no charco que agite as águas e acorde o partido da letargia em que está há anos aproximando-o do seu eleitorado.

Ou pode ser uma derradeira tentativa de sobrevivência de um partido que se sente moribundo e para quem já tudo vale, sem olhar a meios.

O tempo dirá que PSD é este que nasce hoje. Para já acho que ninguém sabe. Sobretudo Menezes.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Hoje é eleito...




... o próximo líder da oposição até 2009. Em 2009 o PS vai ganhar as eleições com nova maioria absoluta, não por mérito mas por ausência de oposição. Aqueles que elegerem o vencedor de hoje vão então diabolizá-lo e é provável que novos protagonistas repitam o triste espetáculo que tem desfilado pelos telejornais nos últimos dias.

As eleições directas do PS trouxeram para a praça pública o melhor da política. As eleições directas no PSD trouxeram o pior.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Quando a SIC Notícias é notícia na SIC



A SIC sai mesmo muito mal do episódio de Santana Lopes.

A SIC Notícias tem uma audiência média de apenas 1.5% e estava com grande
curiosidade para saber como é que o episódio era tratado no Jornal da Noite
que tem uma audiência muito maior.

O Jornal da Noite transmitiu as declarações de Santana Lopes até ao momento
da interrupção e depois mostrou umas imagens de Mourinho enquanto o
apresentador dizia "Pedro Santana Lopes não gostou de ser interrompido por
um directo da chegada de Mourinho a Lisboa e recusou-se a continuar a
entrevista". De seguida é lido um comunicado da SIC onde se afirma :

"A SIC entende que não faltou ao respeito a Pedro Santana Lopes e que a
chegada de José Mourinho não era um elemento perturbador de uma entrevista
para a qual tínhamos previsto cerca de 30 minutos."


"A SIC Notícias é, seguramente, a televisão portuguesa que mais importância
dá à política nacional. A atitude desproporcionada de Pedro Santana Lopes
não altera a nossa linha editorial."


Ao não mostrar as imagens com a intervenção de Santana Lopes após a
interrupção, ao classificar a sua reacção como "desproporcionada" e ao
considerar a sua interrupção como "não perturbadora da entrevista" a
direcção de programas da SIC decidiu substituir-se aos telespectadores no
julgamento do episódio. A SIC decidiu portanto não noticiar o acontecimento
com isenção e colocar o seu próprio interesse acima da sua obrigação de
informar o público.

E com mais uma deplorável manifestação de falta de humildade e incapacidade
de admitir um erro mostrou que não aprendeu nada com o episódio e que vai
manter esta linha editorial, apesar dos protestos dos seus espectadores
espalhadas pela blogosfera, nas centenas de comentários que podem ser
consultados no Público e nos newsgroups.

Tenho a informação da SIC em boa conta o que só torna a estupefação com este episódio maior.

Ainda acerca da entrevista de Pedro Santana Lopes à SIC notícias...

Critérios editoriais duvidosos por parte de orgãos de informação que acabam por deformar mais do que informar não são um exclusivo de Portugal.

Mas compare-se o que se passou ontem na SIC Notícias com o que se passou na NBC no vídeo abaixo reproduzido. Aceitar a ditadura dos fanáticos do futebol sobre os conteúdos dos programas informativos não é uma inevitabilidade.


Os critérios editoriais da SIC Notícias na entrevista a Pedro Santana Lopes




Este é o vídeo com o epísódio de que toda a gente parece falar. Mais de 300 comentários na página do Público, é obra!

Comentando o clima no PSD e os problemas das directas, a entrevista a Pedro Santana Lopes é interrompida para um directo com a chegada de Mourinho ao Aeroporto. Na reacção, Santana Lopes recusa-se a continuar a entrevista.

Ricardo Costa, director da SIC Notícas, defende-se afirmando que :
"A SIC Notícias lamenta que a decisão de fazer um directo para a chegada de José Mourinho ao aeroporto tenha provocado uma reacção, que consideramos desproporcionada de Pedro Santana Lopes."
"A SIC Notícias não falta ao respeito aos seus convidados nem aos telespectadores."

Sou extremamente crítico de Santana Lopes e sobretudo da forma como ele chegou
ao poder. E considero que são os políticos os principais responsáveis pelo alheamento dos cidadãos em relação à Democracia.

Dito isto, ontem PSL subiu muitos pontos na minha consideração. A cobertura insuficiente ou pouco esclarecida da comunicação social sobre as questões políticas que afectam o nosso futuro colectivo em deterimento de questões menores tem também sido um contributo importante da Comunicação Social para a degradação da nossa Democracia. A chegada de Mourinho ao Aeroporto nem sequer notícia é, quanto mais algo que justifique um directo e a interrupção de uma entrevista! Se Mourinho tivesse vindo a pé desde Inglaterra, era notícia. Mas aquele directo é totalmente desprovido de substância.

É incompreensível a reacção de Ricardo Costa ao episódio. A SIC Notícias dedica muito do seu espaço à crítica e escrutínio da actividade política. Devia portanto perceber que os seus "critérios editoriais" não estão eles próprios livres de crítica. Uma atitude destas vinda de quem tantas vezes sucumbiu à sedução dos holofotes só sublinha ainda mais o péssimo critério editorial da SIC neste ponto em concreto. Um pouco de humildade para reconhecer isso, não ficava mal a Ricardo Costa.

Ah, e se Ricardo Costa acha que a SIC Notícias não faltou ao respeito a ninguém, eu lamento discordar. Pedro Santana Lopes pelo contrário não faltou ao respeito à SIC quando se soube dar ao respeito.

Parabéns, Pedro Santana Lopes.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

O Plano Tecnológico e os resultados concretos




De acordo com o governo o 100,000 vezes anunciado Plano Tecnologico (parece que já deixou de ser choque tecnológico)é "uma agenda de mudança para a sociedade portuguesa que visa mobilizar as empresas, as famílias e as instituições para que, com o esforço conjugado de todos, possam ser vencidos os desafios de modernização que Portugal enfrenta. No quadro desta agenda, o Governo assume o Plano Tecnológico como uma prioridade para as políticas públicas".

De acordo com a Informação Mensal do Instituto de Emprego e Formação
Profissional referente a Agosto de 2007 fica a saber-se que :

"Com menos desemprego do que há um ano contam-se a maioria dos grupos profissionais, salientando-se os "condutores de veículos e operadores de equipamentos pesados móveis" (-21,7%), os "operários e trabalhadores similares da indústria extractiva e construção civil" (-19,8%), os "outros operários, artífices e trabalhadores similares" (-19,7%) e os "trabalhadores da metalurgia, metalomecânica e similares" (-19,4%)."

Ou seja, a economia está a criar empregos pouco qualificados.

Fica também a saber-se que :

"A evolução anual do desemprego por profissão, continua a mostrar, com acréscimos percentuais elevados, os "profissionais de nível intermédio do ensino" (+36,5%), os "especialistas das ciências da vida e profissões da saúde" (+28,8%) e os "profissionais de nível intermédio das ciências da vida e da saúde" (+10,4%). Embora com pouca representatividade no volume global de desemprego, referem-se, ainda, os aumentos percentuais verificados nos "agricultores e pescadores de subsistência" e nos "quadros superiores da administração pública".

Ou seja, a ecnomia está a destruir empregos que exigem qualificações médias
e superiores. O que pode ser confirmado quando no relatório se lê :

"Com excepção dos que possuíam um nível de instrução superior, todos os níveis de habilitação escolar registavam menos desempregados do que há um ano".

Eu gostava de ouvir algum jornalista ou algum líder da oposição perguntar ao
Primeiro-Ministro (e obter deste uma resposta) como é que estes números
encaixam no Plano Tecnológico.

O Governo tem vendido que há empresas a fechar porque se está a fazer uma
reestruturação do mercado de trabalho com a substituição de emprego não
qualificado por emprego qualificado. O IEFP mostra precisa mente o contrário
: aqueles que investiram na sua formação e que têm qualificações superiores
têm cada vez menos emprego. Quem não tem essas qualificações tem cada vez
mais emprego. A nossa economia e as nossas empresas estão a ficar
menos qualificadas e menos sofisticadas. O padrão de exploração da mão de
obra barata está-se a intensificar!

É assim que se vai evitar o abandono escolar? É assim que se vai fazer a economia crescer de forma estrutural e sustentada? É assim que os Portugueses vão viver melhor? O plano tecnológico existe ou é só um jogo de espelhos? José Sócrates é Primeiro-Ministro ou é ilusionista? (É melhor não perguntar se é Engenheiro, senão ainda me processa o blog!)

Eu aposto que não se vai ouvir nenhum jornalista nem nenhum líder da
oposição a fazer estas perguntas. E na eventualidade remota de que a
pergunta seja feita, tenho a certeza de que não se vai ouvir nenhuma
resposta (mais depressa se houve uma piada dirigida a quem fizer a pergunta) e que isso vai ser aceite com toda a naturalidade. O PS vai continuar a saltitar para a sua maioria absoluta de 2009 para mais 4 anos de ilusão com políticas que vão resultar em mais 40 anos de oportunidades perdidas (e não de novas oportunidades).

Continuo sem conseguir perceber porque é que em Portugal não há nem oposição
nem imprensa que fiscalize este governo. Se eu fosse deputado da oposição ou jornalista, saberia exactamente que perguntas fazer. Só teria alguma dificuldade em saber por onde começar...

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

O Debate Mensal na Assembleia da República





Este debate foi verdadeiramente surreal!

PDS : Marques Mendes coloca uma série de perguntas acerca de alguns temas
que marcam a actualidade e uma segunda pergunta concretamente sobre os
problemas relacionados com a segurança.
Primeiro-Ministro : Acusa Marques Mendes de não ter uma agenda própria e de
ir a reboque da comunicação social e faz diversas considerações sobre o
estilo de intervenção de Marques Mendes. Não responde a uma única das
perguntas colocadas

PCP : Jerónimo de Sousa pergunta ao primeiro-ministro como vê um relatório
que atribui a Portugal o primeiro lugar na desigualdade de riqueza.
Primeiro-Ministro : A culpa é da direita, nós não temos nada a ver com isso.
O PCP diz sempre a mesma coisa. Já está gasto.

PP : Paulo Portas pergunta se o governo planeia introduzir benefícios
sociais para contrariar o efeito que a subida dos juros tem no rendimento
disponível das famílias.
Primeiro-Ministro : Socrates aos gritos, diz que o estilo de Paulo Portas
fazer política aos gritos já está gasto. E pergunta o que é que ele fez
quando estava no governo.

Bloco de Esquerda : Apresenta 3 exemplos concretos em que pessoas com cargo
de direcção em empresas do sector privado foram nomeadas para cargos de
direcção da política do governo no sector público, em violação de um diploma
criado por Sócrates.
Primeiro-Ministro : Ignorou completamente 2 exemplos e quanto ao 3º disse
que o Ministro da Saúde o tinha acabado de informar que não era assim.
Informou também que a alergia ao sector privado não era uma característica
do seu governo

Verdes : Colocam uma questão sobre o relatório da DECO sobre a qualidade do
ar nas Escolas e perguntam porque é que passado 2 anos e meio o governo
ainda não tinha feito o levantamento dos edifícios públicos com amianto no
seguimento de um diploma aprovado há 3 anos na Assembleia com o voto
favorável do deputado José Sócrates.
Primeiro- Ministro : Espanta-me que não me tenha feito uma pergunta sobre os
transgénicos porque eu gostava era de falar nisso. Gostava de condenar a
destruição de propriedade privada no Algarve, ao contrário do que a senhora
deputada dos verdes faz. (Isto depois de a deputada em causa ter condenado
o episódio referido). Sobre o amianto ou o estudo da DECO, nem uma palavra.

PS : O Primeiro-Ministro ganhou o debate!

Serve isto tudo para dizer, que há uma distância enorme entre a ideia
existente de que Sócrates ganha todos os debates parlamentares e a
realidade. Isto, porque não há ali nenhum debate. A ideia do Parlamento
como orgão fiscalizador da acção executiva pressupõem que o Governo responda
às questões que lhe são colocadas. Não há questões mais ou menos
pertinentes e não cabe certamente ao Primeiro-Ministro discorrer sobre as
perguntas e o estilo dos líderes parlamentares como expediente para não
responder a uma única pergunta. Isto não é um debate. É um comício.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

O Choque Tecnológico




Uma das bandeiras eleitorais deste governo foi o "Choque Tecnológico". Anunciado como uma viragem das prioridades do país para a Ciência e Tecnologia como alicerces de um futuro mais radioso, até agora este choque resultou em :
- Distribuição de computadores com o logótipo de um operador de internet móvel. Qualquer semelhança entre esta iniciativa e a distribuição de electrodomésticos por parte de alguns autarcas perto de períodos eleitorais é mais do que pura coincidência.
- Instalação de quadros interactivos nas escolas primárias.
- Internet por tudo quanto é escolas
- Diminuição dos orçamentos das Universidades, que ainda são os sítios onde se faz Investigação e Desenvolvimento por cá.
- Anúncio de um aumento brutal das bolsas de Doutoramento, sem que haja a preocupação de assegurar que estes bolseiros vão ter boas condições de trabalho. Se os laboratórios e Universidades não têm mais dinheiro para equipamento e programas, de que serve haver lá mais bolseiros? Mais pessoas para menos trabalho.

Eu diria que a parte tecnológica do choque se esgota nos computadores (que daqui a 3 anos já não servirão de muito) e não chega nem perto da ciência. E isto é que é chocante!

O orçamento para I&D do Ministério da Ciência em Ensino Superior para 2007 é de 350 milhões de euros.

Espanha, que não anunciou nenhum choque tecnológico com pompa e circunstância, prepara-se para investir durante os próximos 4 anos nada mais nada menos do que 47700 milhões de euros em programas de Investigação e Desenvolvimento. Espanha vai investir 34 vezes mais do que Portugal vai gastar no mesmo período. Sublinho as palavras "investir" e "gastar". A escolha não é acidental.

Não há diferença entre o tamanho ou a riqueza dos dois países que explique este factor de 34x. A diferença que existe está na vontade política que existe em fazer da ciência uma catapulta para o futuro e que manifestamente não existe em Portugal, ao contrátio da propaganda oficial, mas que pelos vistos existem em Espanha.

É a diferença entre a teoria e a prática. Em Portugal anuncia-se com toda a pompa e circunstância um programa que até agora não passa de propaganda e tem-se com isso a pretensão de liderar as boas práticas europeias. Os outros países, fazem de facto aquilo que por cá se prentende que é feito.

domingo, 9 de setembro de 2007

Globalização




Tudo é global hoje em dia. Até os sismos...

Num artigo de Chen et al. publicado no Geophysical Research Letters e relatado no Associated Physics News Update 837, item 2 , é apresentado o mapa reproduzido acima.

Representa numa escala colorida um mapa das diferenças na gravidade medida por satélites antes e após o sismo que originou o Tsunami de Dezembro de 2004. As diferenças de gravidade são causadas por variações na distribuição de massa no interior da terra.

O sismo mudou literalmente a forma do planeta!

sábado, 8 de setembro de 2007

O preço da dignidade



De vez em quando há notícias que me revelam uma realidade do nosso país característica do terceiro mundo e que até então me tinha passado despercebida.

Ninguém que convence que num país que já fez uma Expo em 1998 só houve a capacidade de encontrar este dinheiro em 2007 e que de forma nenhuma ele poderia ter sido investido à custa de alguma parcimónia noutro tipo de despesas.

O preço da dignidade é de 16 milhões de euros.

Só a RTP recebe por ano 10 vezes esta quantia pelo serviço público que presta.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

RTP : quanto custa não a privatizar?

Há duas razões que justificam a mantutenção da RTP como empresa pública : é um instrumento que permite a intervenção do Estado no sector da comunicação social e presta um serviço público à sociedade.

O primeiro é extremamente polémico. A intervenção do estado no sector é necessária? Se a RTP fosse privada o sector televisivo entraria em colapso? A TVI e a SIC passariam sem o exemplo da RTP a trasmitir 3 telenovelas seguidas à noite? Convenhamos que uma coisa é o estado controlar a Caixa Geral de Depósitos e outra completamente diferente é controlar a RTP. A intervenção/controlo da comunicação social não se pode fazer nos mesmos moldes que se faz no sector bancário.

Mas não só a necessidade de intervenção é discutível. A própria forma como essa intervenção é feita deixa muito a desejar. Se por um lado é verdade que a RTP não transmite as tais 3 telenovelas por noite, não é menos verdade que os Telejornais nos brindam todos os dias com o que o Pacheco Pereira chama de "Momentos Chávez". A manipulação da RTP (mesmo que seja uma auto-manipulação, fruto dos boys partidários dentro da casa) parece uma tentação demasiado grande para ser evitada.

O serviço público é apesar de tudo mais fácil de avaliar, pela simples razão de que tem custos que podem ser quantificados. Pelo motivo de a RTP fornecer "serviço público", que não percebo muito bem o que é, recebe do Estado uma indemnização compensatória no valor de 150 milhões de euros, só este ano!! Estranha situação esta em que uma expressão tão benigna e simpática como "serviço público" esconde afinal o pagamento de uma indemnização!

E 150 milhões de euros é muito dinheiro! Mas vamos pô-lo em perspectiva. Segundo números do Governo, em 2006 o Estado gastou 1598 milhões de euros em pensões de sobrevivência. Sognifica isso que se o Estado não indemnizasse a RTP pelo tal serviço público as pensões de sobrevivência poderiam aumentar 9.4% sem medidas adicionais e sem aumento de despesa pública. E há ainda que contar com o efeito positivo que teria o encaixe de capital resultante da privatização.

Acho que é discutível que o serviço público da RTP valha mais do este aumento das pensões dos mais desfavorecidos (vão-lhe lá perguntar a eles o que é que preferem!). Sobretudo quando há canais privados que prestam um serviço público bem melhor do que a RTP na rede cabo. O serviço é público, embora o acesso não seja. Mas deve ser o estado a pagar a televisão que vemos? Vale isso 150 milhões de euros por ano?

O PCP e o BE, que nunca fazem contas, são contra a privatização. É uma daquelas contradições que eu nunca hei-de perceber na esquerda mais radical. Defendem-se luxos ao mesmo tempo que se tem um discurso de paladino dos mais favorecidos fazendo de conta que o dinheiro dá para tudo.

O PS e o Governo, que fazem contas, são contra. Deve ter outras razões para ser contra. Mas não o vejo a dizer quais são, o que é estranho para um governo que gosta tanto de anunciar tudo tantas vezes.

O PSD é esquizofrénico nesta questão como infelizmente tem sido nalgumas outras.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Professores desempregados

A Ministra da Educação fez um périplo por todos os canais televisivos na abertura de um ano escolar que ela define como o ano da estabilidade. Aproveitou para se referir à situação de desemprego que atinge um número brutal de Professores com um lavar de mãos digno de Pilatos.

Segundo a Ministra :
"Não se pode impedir ninguém de seguir a carreira de professor, mas os jovens devem conhecer as possibilidades de empregabilidade. Há um desajuste entre a formação superior e as necessidades do ME"

Ainda segundo a Ministra as necessidades do Ministério da Educação são transmitidas ao Ministério do Ensino Superior para que este informe as Universidades.


Ministra da Educação na SIC


Eu não sei se quem tem mais culpa é o Ministro A ou o Ministro B e francamente isso parece-me um pormenor havendo um governo em que a responsabilidade é solidária. O que me parece indiscutível é que há nesta matéria responsabilidades do governo.

É verdade que as pessoas escolhem os seus cursos superiores com plena liberdade e toda a gente percebe as consequências da nossa crise demográfica. Não é menos verdade que o estado tem a obrigação de não contratar professores de que não precisa.

Mas é também verdade que estes Professores obtiveram as suas licenciaturas em Universidades públicas. Significa isto que o Estado gastou o dinheiro dos impostos de todos para fornecer a estes profissionais competências que agora se revelam inúteis. E agora volta a gastar o dinheiro de todos a pagar subsídios de desemprego a milhares.

O financiamento público do Ensino Superior só é justificável se através do fornecimento de competências aos indivídios que o frequentam se puderem extrair vantagens económicas e sociais úteis para todos. É uma função do governo escolher criteriosamente que cursos são ministrados nas Universidades públicas e fixar o número de vagas de cada um de acordo com as necessidades previsíveis de profissionais da respectiva área ao longo dos próximos anos ou mesmo décadas.

Esta é obviamente uma tarefa do governo que foi totalmente negligenciada. Isto é especialmente chocante quando o Estado é o único empregador destes profissionais. Não pode haver nesta situação qualquer surpresa! Ao manterem abertos inúmeros cursos vocacionados para o ensino com um número de vagas enormes os sucessivos governos criaram nos jovens que seguiram estes cursos expectativas de empregabilidade que hoje se torno evidente não poderem ser cumpridas. Este governo continua a permitir que as Universidades aceitem e deitem todos os anos para o emprego milhares destes jovens. Nada mudou, quando é evidente que um simples ajuste do número de vagas ou mesmo uma diferenciação das propinas em função das previsíveis necessidades de cada curso bastariam para evitar esta situação.

Mas este "lavar de mãos" é ainda mais chocante num governo que distribui computadores todos os dias e que enche jornais e televisões com a promessa de "novas oportunidades". Um Professor de Matemática não é a mesma coisa que um Matemático. Não é com a matemática do 12º ano, que supostamente iria ensinar, que vai encontrar emprego como matemático a desenvolver modelos para um banco, uma seguradora ou para o INE. Muitos destes Professores não adquiriram conhecimentos que lhes permitam transitar facilmente para outro tipo de emprego. Não é por acaso que eles continuam a tentar entrar na docência ano após ano.

Não merecem estes profissionais uma "nova oportunidade"? São supostamente inteligentes e têm competências, simplesmente não são as mais necessárias. Não seria razoável existir por parte do Governo um programa que permitisse ao País recuperar o investimento utilizado a formar todas estas pessoas, facilitando a sua transição e integração em profissões alternativas?

Como espera o Governo diminuir o abandono escolar e convencer os jovens de que é importante obter qualificações com exemplos destes?

Génesis

Resisti durante um período suficientemente grande à "moda" dos blogues para me tornar arcaico.

Tenho opinião sobre muitos assuntos encerrada em mim. Está na hora de a libertar e ver como se sai no mundo!

Sem a ambição de chegar a lado nenhum, o blogue nasce humilde. Vamos ver que vida terá.